Eu vi um Sapo: “The Good, the Bad and the Ugly” (1966)

 

Westerns.
Acreditem ou não, este foi um género que sempre me passou ao lado. Não por não gostar dele, apenas porque nunca calhou. O mais perto que alguma vez estive deste género era quando via os desenhos animados da Calimity Jane, ou do Saber Rider, ou quando lia as aventuras do Lucky Luke. No campo do cinema, o mais perto que cheguei foi ver um western coreano, “The Good, the Bad and the Weird”, inspirado neste clássico do Sergio Leone.

Achei então que já estava na hora de ver o filme mais icónico e representativo do género.
Só pela maneira como as personagens titulares são apresentadas, dedicando a cada um deles uma cena que não só delineia as suas motivações para o resto do filme, mas também vinca as suas distintas personalidades, percebi logo de onde vem o estatuto de clássico.
A história do filme é descomplicada: três pistoleiros andam à caça de um tesouro escondido. Pelo caminho irão passar a perna uns aos outros, as vezes que forem necessárias, para conseguirem a fortuna só para si. Como pano de fundo está um acontecimento histórico de pouca importância, conhecido como A Guerra Civil Americana. De certeza que nunca ouviram falar de tal bicho.

As personagens principais são homens de poucas palavras, dois deles nem sequer têm nome. São arquétipos que só necessitam de carisma para nos prenderem ao ecrã. As suas acções falam por eles, e não há cá lugar para conversas longas e dilemas da fé. Como um deles diz, e passo a citar: “Se vais disparar, dispara. Não fales.”
Se há uma palavra para descrever esta aventura é: “Carismática”. Sempre que o filme começa a entrar em territórios do melo-drama, lá explode uma ponte, ou começa um tiroteio, ou uma das personagens principais faz algo que não estava no guião.
Aqui não há lugar para heróis. Nem “o Bom” do título tem as mãos limpas. Aqui os cowboys são feios, porcos e maus, dispostos a tudo para sobreviver. Formam um contraste/sátira da imagem do vaqueiro heróico protagonizado pelo sempre popular John Wayne, peregrino.

Há três momentos que quero salientar do filme e que, para mim, só por eles tornam o visionamento do filme quase obrigatório.
O primeiro, e possivelmente o momento mais violento do filme, segundo os padrões da altura, é quando uma personagem está a ser violentamente torturada numa casa, enquanto, lá fora, um grupo de soldados americanos canta uma balada: The Story of a Soldier.
O segundo, outro momento musical, acontece quando finalmente alcançam o local onde o tesouro está escondido. A emoção e a ansiedade, que já estavam a atingir o seu pico, saem disparadas para a estratosfera quando começa a tocar a Ecstasy of Gold. Arrepios.
Finalmente, temos o Mexican Standoff original. Três homens armados, mais dinheiro em jogo do que aquele que alguma vez viram nas suas vidas, olhares tensos e, sem aviso, tudo acaba no intervalo entre duas batidas do coração, e a audiência fica a percorrer o ecrã de lado a lado para ver quem é que ficou de pé. Não admira que tantos realizadores tenham tentado, nos mais diversos filmes, recriar este momento único.

Pronto, já esgotei os meus cartuchos.
Este clássico é à prova de bala. Adorei todos os momentos e não me arrependo de ter esperado tanto tempo para o ver, nem que seja pelo facto de agora lhe conseguir dar todos os créditos que merece.

 

Blondie: Every gun makes its own tune. 

 

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