A primeira vez que vi um Dinossauro

Foi numa noite gelada do mês de Outubro.
Há 22 anos atrás, este vosso pouco humilde escritor, foi ao cinema, um lugar mágico e maravilhoso onde nunca antes tinha entrado. Este cinema era o único da cidade. Não era dos melhores, nem de perto. Basicamente, era um descampado, junto ao rio, cercado por muros e prédios altos, com uma parede onde estava uma tela de pano cinzento e cadeiras de ferro frio e desconfortável. Segundo o dicionário, esta definição corresponde à palavra Cine Esplanada.

O filme era o “Parque Jurássico”. Eu era uma bola de carne enfiada em quispos, blusas, gorros e tudo o resto que fosse capaz de impedir que a noite fria me roubasse calor. Fui ver o filme com o meu pai. Se bem que quando digo “ver” estou a ser bastante optimista. Antes do intervalo, eu e o meu pai tivemos de voltar para casa. O cansaço e o frio tinham-me vencido.

“ahaha”

 “mas que bela merda de primeira x”

Diriam vocês.

“Não.”

Digo eu. Isto porque antes de obrigar o meu pai a não ver o resto do filme, eu vi os dinossauros. Numa cena impossível de apagar do disco rígido onde estão as minhas recordações, uma cena que ainda recordo hoje come se tivesse acontecido ontem, eu senti a magia do cinema. Eu vi os dinossauros em toda a sua glória, pelos olhos de uma criança de 4 anos.

Anos mais tarde, graças a uma VHS, um leitor de vídeo e à RTP1, eu pude (re)ver o filme como deve de ser. Várias vezes por semana. Ao almoço e ao jantar.
A magia continuava lá, mas não dá para comparar com o que realmente senti – algo que nem consigo pôr bem em palavras – naquela noite no Cine Esplanada. Afinal, só há uma primeira vez para tudo.

Escuso de estar para aqui a “vender-vos” o filme. Ou acham que o filme é bom, ou estão errados. Não há duas maneiras de olhar para coisa. As personagens interessantes, os efeitos especiais que o tempo não consegue fossilizar, as cenas de acção cheias de tensão, os Velociraptors!

Com isto tudo, estariam no vosso direito de me achar um fã da série. Um daqueles tipos que sempre adorou dinossauros, que tem as edições especiais dos três filmes e que já leu os livros. É o vosso direito, assim como é o meu de vos dizer que estão enganados.
Gosto muito do primeiro filme, o segundo passou por mim sem eu o notar e vi o terceiro no cinema, numa altura em que achava que todos os filmes eram bons. Também não tenho nenhuma panca por dinossauros. Acho piada aos bichos e sou capaz de ver de bom grado alguns documentários da BBC, mas nada para além disso.

Isto tudo serviu para vos dizer que o “Parque Jurássico” teve um papel especial a criar a pessoa que sou hoje, e isso é algo que não posso dizer de 97% dos outros filmes que vi nos últimos 22 anos. Espero que esta nova iteração seja tão divertida como a primeira, e que consiga mostrar o que é a magia do cinema a várias crianças por este mundo fora.

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