“Kung Fury” de David Sandberg (2015)

 

Do país do gelo e da neve, do sol da meia-noite onde as fontes termais fluem, chega-nos um filme inteiramente financiando pelo serviço Kickstarter e pela energia criativa do seu criador.

David Sandberg, qual Mórrígan, dobra-se em realizador, escritor e actor principal para nos trazer a história de um polícia mestre de Kung Fu que viaja ao passado para matar o Hitler. Isto tudo com a ajuda de dinossauros e de vikings e de um tal de Thor.

Eu gostei deste filme. Durante 10 minutos.
Nessa dezena de minutos vi o nosso herói lutar contra uma máquina de arcada possuída, com golpes de artes marciais e tiros dignos de um sétimo grau de gun kata, algumas tiradas “foleiras” («Tank you.» o protagonista proclama, no tom mais neutro e apático possível, depois de esmagar dois nazis com um tanque)  e o seu passado, propositadamente cliché.
Depois disso o filme perdeu-me.

Kung Fury, seguindo as passadas de uma série-animada-cómica-que-não-irei-mencionar-porque-é-hórrível-e-quem-gosta-dela-é-imaturo-e-cheira-a-cocó, começa a ser aleatório só para o ser. Porta fora foi o cuidado de manter a maluquice coerente e relevante para a história que estava a ser contada. Acreditem ou não, fazer uma boa parvoíce dá imenso trabalho. É o que distingue os Naked Guns dos (Inserir Adjectivo) Movies.
Outro desequilíbrio que notei foi na representação dos vilões. Primeiro são apresentados como uma ameaça incrível e  depois, quando chega a sua altura de brilhar, não passam de carne para canhão. Não sei quanto a vocês, mas não há coisa que me aborreça mais do que ver alguém todo poderoso a dispensar porrada em tipos que não conseguem bater de volta.

Mas nem tudo é mau.
O sentimento dos anos 80 está bem presente em todos os frames.
As coreografias das lutas parecem tiradas de um Mortal Kombat (o jogo, não o filme).
A banda sonora usa e abusa bem dos sintetizadores de serviço.
A estética é consistente e agradável e tem um estilo muito próprio. O único sítio onde vi uma estética parecida foi no Hotline Miami.

A minha opinião final é de que o Kung Fury é um filme com umas boas ideias, mas que se esforça demasiado para as concretizar.
A internet e tudo o que é página de cinema anda a explodir de felicidade com este filme. E bom para eles. É bom haver coisas que ainda nos fazem felizes. Espero que também seja do vosso agrado.

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