“Avengers: Age of Ultron” de Joss Whedon

«I know you’re good people. I know you mean well. But you just didn’t think it through. There is only one path to peace… your extinction.»

Joss Whedon. O verdadeiro nome de Deus nos lábios de todos os fãs de ficção científica, BD e cultura geek/nerd por este mundo fora.
Abençoado com dom de escrever histórias e heróis intemporais – quem é que já se esqueceu da Buffy? – e amaldiçoado a ter os seus melhores trabalhos cancelados antes do tempo – Firefly e Dollhouse – Joss Whedon foi o escolhido pela Marvel para trazer não um, mas dois filmes dos Vingadores para o grande ecrã.

O primeiro, em 2012, foi um sucesso claro. Agora, passados três anos e várias aventuras individuais, que mudaram e marcaram os nossos heróis de formas únicas – querem saber como? Vejam estas nossas publicações anteriores: Capitão América, Hulk, Thor e Iron Man – será o Whedon capaz de saciar as exigências Galactianas (vide Galactus) dos fãs?

A resposta é Sim. Com “sim” maiúsculo.

Avengers: Age of Ultron é um filme mais.

É mais divertido que o primeiro: as personagens já se conhecem melhor e isso nota-se na maneira como interagem entre si. O espírito de equipa é tão palpável que bem que podia estar sentado ao nosso lado a ocupar o nosso assento para o braço. Juntem a isto a escrita humorística do Whedon – que é tipo a do James Gunn do Guardians of the Galaxy, só que com piada – e o resultado são umas boas gargalhadas durante todo o filme.

É mais ambicioso. Aqui e ali vemos as histórias que começaram em filmes anteriores, incluindo o primeiro Avengers assim como todos os filmes individuais da fase 2 da Marvel (tudo o que veio a seguir ao primeiro Avengers), eventos e personagens a serem mencionados e até apresentados. Apareceram um bocado como aqueles conhecidos com quem às vezes nos cruzamos na rua, mas que ainda assim ficamos contentes por lhes ter posto a vista em cima.
Não só isto aconteceu, mas também começaram a pavimentar caminho para um certo Ragnarok e uma certa Guerra Civil, mas tudo a seu tempo.

É mais global. Se no primeiro os Vingadores tinham de defender Nova Iorque de um ataque alienígena, aqui têm de defender o Mundo Inteiro. Esta missão leva-os para a Europa de Leste, África (mais propriamente, Wakanda), Coreia do Sul e ainda lhes dá tempo para darem um saltinho a Nova Iorque.

É mais desenvolvido. Todas as personagens têm maior desenvolvimento (se bem que umas mais do que outras). Enquanto que umas continuam a seguir caminhos já traçados, outras são nos mostradas numa luz completamente nova. Não me perguntem quantos watts tinha, mas era bem brilhante.
Aos veteranos juntam-se três personagens novas. Duas delas demoram o seu tempo a ganhar o carinho da audiência, mas a outra – oh meu Whedon! A outra! -, o vilão de serviço, é amor à primeira vista. É que nem estou só a falar dos filmes da Marvel, ele foi o melhor vilão que vi nos últimos tempos.

É mais tudo.
É mais acção, é mais emoção, é mais divertimento e é mais amor à camisola com bolso no peito para enfiar canetas. Apesar do filme seguir uma fórmula óbvia, 80% igual à do primeiro filme ao ponto de sermos capazes de prever que “cena tipo” (acção; introspecção; equipa a discutir; equipa volta-se a unir; etc.) é que nos vai ser apresentada a seguir, é uma fórmula que, quando bem executada, resulta.
É uma sequela que sabe ser uma sequela. Repete as pulsações base do primeiro filme, só que aumentando todas as paradas. Os conflitos entre a equipa são mais sérios. Os inimigos são mais perigosos. A acção é mais frenética. O divertimento é maior e todo para nós.

Se gostam de filmes de super-heróis, no geral, nem precisam ser heróis da Marvel, este é aquele que não podem perder.

Nota

Para não ficarem a pensar que a minha opinião está, de alguma maneira ou feitio, enviesada, fiquem a saber que:
– Não tive paciência para ver o primeiro filme do Capitão América.
– Idem e aspas para os dois filmes do Thor.
– Não vejo as séries de TV da Marvel.
– Não sou fã do primeiro Avengers.
– Deixei-me dormir durante uma parte do primeiro filme dos Vingadores.
– Nutro um desgosto profundo pelo James Gunn. Eu sei, não tem nada a ver para o caso, mas eu gosto de o referir.

2 Responses to “Avengers: Age of Ultron” de Joss Whedon

  1. João Santos says:

    Só para esclarecer uma coisa antes de começar, não sou “contra” a tua opinião do filme. Gostos diferem, e ainda bem. Mas se quiseres perceber porque saí um pouco desiludido da sala, ver abaixo.

    Este é um filme que em teoria tinha tudo no sítio para ser uma sequela digna do primeiro Vingadores (o qual estimo muitíssimo como um dos blockbusters mais divertidos dos últimos anos). Há as coisas que transitam do filme anterior: o Joss Whedon, que é um pequeno génio no que toca a montar uma história de equipa onde cada membro tem a sua chance de brilhar; um cast com excelente química entre eles, que fazem as personagens funcionar; o orçamento ideal para um projecto deste calibre. Há também os novos elementos positivos: um vilão que promete, com a voz do fantástico James Spader; o potencial para contar uma história mais elaborada, agora que tirámos do caminho a origem no primeiro filme, e que os outros filmes da Marvel provaram que os riscos compensam.

    Isto é o que eu sabia quando me sentei na sala de cinema para ver este Age of Ultron. Durante as duas horas do filme, estive entretido e não dou esse tempo como perdido. Continua a ser um bom blockbuster. Mas não tem a magia do primeiro. Houve várias coisas que andei a matutar desde que vi o filme, e gosto de listas, portanto…

    – O primeiro Vingadores foi especial, porque era o culminar de uma série de filmes. Era o objectivo para onde se dirigiam os filmes do Iron Man, Capitão América, etc. Era uma cena nova, um projecto mega-ambicioso. E o que acontece nesse filme é uma história simples e mais ou menos contida. Este Age of Ultron parece só mais um na lista de filmes da Marvel, já a montar cenário para o próximo. Não houve aquela sensação de clímax, que surgir no primeiro Vingadores. Parece mais uma intermissão para aguentar enquanto não chega o Infinity War.

    – Tony Stark encontra uma inteligência artifical no ceptro do Loki, tem a ideia de a usar para proteger o planeta, desenvolve-a, ela desperta, torna-se má e ganha forma. Isto tudo acontece em 10 minutos. Parece menos desenvolvimento da história, e mais uma checklist do género “já toda a gente sabe o que vai acontecer, vamos lá partir para a porrada”.

    – As trocas de piadas entre a equipa, que foram um dos grandes sucessos do primeiro filme, aqui também me pareceu “bem, eles gostaram disto, vamos pôr mais”. Mas aqui eram desinspiradas (a cena de gozarem com capitão américa por causa da linguagem perdeu a piada muito depressa) e até bastante previsíveis. Também acho que exageraram nas referências às piadas do filme anterior.

    – Os gémeos eram não-personagens. Tinham uma motivação qualquer metida a martelo, não houve qualquer oportunidade para sentirmos empatia com eles, e por causa disso, não houve para mim impacto nenhum quando spoiler spoiler spoiler. Comparando quicksilver com quicksilver, prefiro a encarnação no último X-Men, pode não ser uma cópia-chapada dos comics mas teve pelo menos uma cena memorável. Para receberem este tratamento, era preferível não estatem sequer no filme.

    – O Ultron é bom vilão, mas a maneira como o desperdiçam é um crime. Nunca, ao longo de todo o filme, ele parece verdadeiramente perigoso. Chegam a dar-lhe uma personalidade cómica, que embora com alguns bons gags, tira-lhe qualquer sensação de ameaça. E o Ultron gosta de meteoritos agora? Uma inteligência artificial não consegue arranjar formais mais lógicas de extinguir a humanidade?

    – A parte que teria sido mais interessante de ver, a divisão na equipa porque o Tony Stark basicamente criou o seu maior medo, é despachada como tudo o resto neste filme. Temos de fazer espaço para as tentativas desesperadas de character development que são o romance Hulk-Viúva Negra e a casa de campo do Hawkeye.

    – Começa a assustar-me que a Marvel não saiba como terminar um filme sem ter uma estrutura gigante a cair do céu, que os heróis têm de impedir. Parece que só sabem esse truque. Já vimos isso no último Capitão América, nos Guardiões da Galáxia e (embora não na cena final) no último Vingadores. Variem um bocadinho, caramba. As cenas de luta finais deste filme também são uma cópia do último Vingadores, mas substituindo extraterrestres por robôs.

    – Gostei do Visão.

    Lamento esta quantidade de texto. Antes de ir, últimas observações.

    Achei os últimos dois filmes individuais da Marvel (Guardiões da Galáxia e Capitão América) melhores que este Vingadores. Não são obras-primas (aliás, o Guardiões pensa que tem mais piada do que tem realmente) mas sabem conter-se e sabem menos a “fan service”. Também não tive paciência para o primeiro Capitão América, e os Thor’s não valem a pena (nem os Iron Man’s já agora). Também não vejo séries de TV da Marvel, EXCEPTO agora o Daredevil, e caramba é bom que se farta. Recomendo.

    Bem, venha o Ant-Man. Não é o Edgar Wright mas tenha uma réstia de esperança de me surpreender pela positiva.

  2. João Valentim says:

    São tudo pontos válidos, e agradeço-te muito o facto de teres dedicado o teu tempo a escrevê-los.
    Percebo todos os teus pontos, e pouco tenho a acrescentar.

    Só me resta concordar que sim, o Daredevil valeu muito a pena. Deixou-me com esperanças para os próximos heróis que a Marvel vai apresentar no Netflix.
    Acrescento também que, contra o meu melhor julgamento, irei ver o primeiro filme do Thor. Porque, no final do dia, não deixa de ser um filme do Kenneth Branagh. Quanto aos Iron Man, vamos concordar em discordar.

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