“Ex Machina” de Alex Garland

«Isn’t it strange, to create something that hates you?»

Alex Garland, o escritor responsáveis por filmes como Dredd (vejam-no) e 28 Dias Depois (idem e aspas) estreia-se na realização, sem largar o papel de argumentista, neste thriller de ficção científica sobre a possibilidade da existência de uma Inteligência Artificial cem por cento autêntica.

As bases da história são simples de explicar: Nathan (Oscar Isaac), uma mistura entre o Bill Gates e o Steve Jobs, lançou um concurso para eleger um candidato para o ajudar a com um teste de Turing. Este teste tem como objectivo provar que Ava (Alicia Vikander) tem uma inteligência, artificial, igual ao de um ser humano. O sortudo eleito é o jovem Caleb (Domhnall Gleeson), um programador talentoso e introvertido.

Vamos logo ao que interessa: este filme bateu nos meus aleluias.
Teve uma história coesa do princípio ao fim, sem nunca nos pedir para termos fé e acreditar no que estava a acontecer.

As personagens foram muito bem conseguidas. Caleb é um protagonista com o qual todos nós nos conseguimos identificar, Ava é um robô com muita humanidade – a actriz conseguiu dar à personagem uma performance mecânica e, ao mesmo tempo, credível. Nathan, o grande impulsionador da história, é um génio dos computadores e o papel que lhe deram assenta como uma luva. É daqueles tipos que nós, ao ler e ouvir histórias que nos contam, achamos geniais e todos os dias damos graças a todos os santinhos por não termos de lidar com ele constantemente.

A estética do filme, assim como a sua trilha sonora, é do mais minimalista que pode haver. Há muito pouco que nos distraia das personagens e das suas interacções. Aqui e ali aparece uma imagem exterior da propriedade onde Nathan tem a sua casa/oficina de trabalho, mas não esperem mais do que isso. Afinal, o foco do filme são as suas personagens e nada mais.

Não vos vou falar muito da história, já que ela é o ponto mais forte desta experiência. Contudo, posso dizer que houve partes que me fizeram lembrar da lenda do “Barba Azul” e, como é o caso de todas as histórias que envolvem alguém que tenta criar vida/brincar aos deuses, a história basilar sobre a criação de vida, “Frankenstein“. A abordagem a toda a questão da Inteligência Artificial é tratada com cuidado, na forma em que nada é posto em extremos opostos. Não há cá Skynets nem Chappies, mas sim algo novo, singular.

Se gostam de ficção científica, não façam mais nada que não seja reservar bilhetes para o irem ver. Se a ficção científica não vos diz nada, mas gostam de thrillers inteligentes e com personagens credíveis, façam o mesmo que sugeri aos amantes da ficção.

– Excepcional

One Response to “Ex Machina” de Alex Garland

  1. Appreciate you sharing, great blog.Really thank you! Want more.

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